domingo, 31 de outubro de 2010

LIVROS FEITOS À MÃO



Livros artesanais- muito mais que uma simples experiência, um espaço de provocação do pensamento.
São tantos que não há um cantinho em casa onde não estejam presentes...
Estes foram criados na Acção de Formação para Professores: Dinamizar a escrita literária, promovido pelo  Sindicato dos Professores da Madeira.
Bem Hajam aos Professores!

OS DIREITOS DA CRIANÇA E A ESCRITA

 "Toda a criança tem o direito de brincar com as letras.
Toda a criança tem o direito de fazer riscos e rabiscos e lhes dar o significado que desejar.
Toda a criança tem o direito de usar canetas coloridas, para dar cor a seus versos.
Toda a criança tem o direito de criar um livro com as próprias mãos e no formato que quiser; flor, carro e foguete, e com ele descobrir o mundo das palavras.
Toda criança tem o direito a um ambiente criativo de conhecimento da língua, para que cresça sem medo dos erros ortógraficos- pedras encontradas no caminho- construções diretas do mundo da cognição.
Toda criança tem o direito de conhecer, amar e utilizar a sua língua materna com uma intimidade que apenas o "domínio da língua materna" não pode proporcionar.
Toda criança tem o direito de amar a sua língua e de afirmar-se quando a utiliza para comunicar.
Toda a criança tem o direito de ser guiado calma e ternamente, sendo respeitado o seu ritmo e as suas inquietações no processo de escrita e de conhecimento das palavras."

Algumas ideias, verdadeiras bússolas para guiar a escrita criativa nas escolas.

sábado, 30 de outubro de 2010

NÃO TEM GRAÇA!


Tem mesmo muita graça, falar do que não tem graça! E a aprendizagem da capacidade empática, pode ser feita quando se é pequenino, quando se tem apenas 5 anos, e as vezes se acha graça rir da fraqueza do outro.
Este livro que pode ser um ponto de partida para uma boa conversa sobre comportamentos, e de como podemos nos sentir quando alguém nos prega um susto; uma partida ou uma brincadeira de mau gosto, como - espalhar cascas de bananas no chão, só para rir das estrondosas quedas que acontecem.
Sim, ensinar Empatia é uma boa forma de proporcionar um crescimento emocional saudável e preparar para uma vida equilibrada e funcional.
É importante manter uma escuta empática durante a leitura do livro, e evitar a todo custo dar sermões ou ter um tom moralista sobre o que se passa na história.
No livro, uma hiena acha graça usar cascar de bananas para provocar quedas, só para depois, rir. Mas o feitiço volta-se contra o feiticeiro...
A leitura só fará efeito se for feita para educar para a sensibilidade,deixando de lado qualquer moralismo.Assim, num ambiente conduzido pelas ilustrações coloridas e apelativas, repletas de animais, será possível ouvir o que cada leitor sente, quando alguém, só para ferir ou magoar , lhe faz algo doloroso.
Uma boa história para ler na escola, ou, antes de dormir quando os pais sentem que alguma coisa não vai bem no mundo da Empatia.

NÃO TEM GRAÇA!
JEANNE WILLIES E ADRIAN REYNOLDS
EDITORA CIVILIZAÇÃO

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

OS DE CIMA E OS DE BAIXO

Há dois tipos de habitantes.
Os de cima e os de baixo.
Os de cima vivem da mesma forma que os de baixo.
E os de baixo da mesma forma que os de cima,
mas ao contrário.


Na verdade somos todos diferentes.Mas no fundo, bem lá no fundo, desejamos o mesmo. Todos queremos  ser felizes e desfrutar do prazer de estarmos uns com os outros.
Os habitantes de cima gostam das mesmas coisas que os habitantes de baixo: gastam tempo com os amigos, divertem -se com coisas comuns e sonham, sonham.
Entre o mundo dos de cima e dos de baixo, há apenas uma linha, como a linha do Equador, que divide o mundo em dois. Mas apesar da divisão e das diferenças, são as semelhanças que os unem e quem sabe um dia,as semelhanças  despertem todos nós, para uma grande onda de tolerância.
Um livro simples, com belas ilustrações de apelo visual forte e que com certeza vai surpreender o leitor.
Um pretexto para uma sessão de animação de leitura sobre vizinhos, tolerância, empatia e paz social.

Acabo de ter uma ideia...

Os de Cima e os de Baixo
Paloma Valdivia
Editora Kalandraka

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

BALÕES E JOGO PROJECTADO COMO FACILITADORES DA ESCRITA

Antes de escrever, falar. Como é bom, passear com um adulto cuidadoso que nos mostra o mundo com a paciência de nos deixar fazer todas as perguntas.
A criança quando anda pela rua, aponta para a nuvem e pergunta o que é. Olha para um carro, ri e imita-lhe o som. Pára muitas vezes só para apreciar os cães que passam na rua.
 Andar com uma criança é ser guia das suas pequenas descobertas, que depois de somadas se transformam em símbolos- forças cheias de significado, que lhe darão significado a existência.

O mundo pós moderno anda vazio de significado, cabe a nós, cuidadores, facilitar o encontro da criança com este universo rico dos símbolos.

Vão ser precisos balões, marcadores e uma boa dose de humor, para fazermos inicialmente uma dança que vai  "aquecer " as ideias. Com tanta alegria no ambiente, criar umas caras ou caretas no nosso balão, vai ser fácil, fácil.


Depois de criadas, vamos dar vozes as personagens e criar uma pequena dramatização.
As crianças pequenas, principalmente antes dos 7 anos, gostam muito de brincar com fantoches, bonecos, utilizando-se do jogo projetado.
Proporcionar estes momentos além de reforçar a oralidade, vão com certeza aumentar os níveis de Criatividade individual e promover a integração do grupo.
E as histórias são de perder a cabeça!

BORRÕES DE TINTA...BRINCADEIRA CRIATIVA

O simples contato da tinta com o papel pode ser uma possibilidade criativa. O processo é muito simples. Bastam apenas três gotas e dobrar o papel. Depois, voltamos a  abri-lo e ...voilá! Uma bela massa de cor aparece.
Agora o borrão, graças ao olhar do seu criador, pode tomar qualquer forma.Com ajuda de marcadores coloridos, vamos criar a nossa personagem.

Muito mais importante do que tentar padronizar o gesto infantil, é deixar que a criança se encontre com o imprevisto e que desta forma, crie o que lhe vier  à cabeça.
É um verdadeiro ato de descoberta dar forma as cores transformando-as no que desejarmos.Escrever não tem que ser uma tarefa árdua e cognitiva, pode ser um processo criativo de descoberta.

Depois das manchas tomarem forma, olhamos mais uma vez para o desenho e contamos a sua pequena história.
Claro que as crianças pequenas podem fazer o registo oral...e o docente registra a história.
Já as crianças maiores são convidadas a escrever a história sempre com canetas coloridas.
A cor é combustivel para a Criatividade.


Fomos visitados por curiosos seres...
Tantos, que mal cabem num post...

DINAMIZAR A ESCRITA CRIATIVA

Desenhos e letras se misturam. Quem disse que aquele rabisco descomprometido que a criança fez com um sorriso nos lábios não tem significado, definitivamente não sabe nada de Pedagogia.
Antes de letras perfeitas e redondinhas, (porque será que devem ser redondas meu Deus?!) queremos que a criança sinta-se livre na sua expressividade e utilize as Artes Plásticas para dar vida as suas descobertas e a seu traço.
Aqui, todo borrão, todo rabisco, é comunicação, é possibilidade.
E como estamos num curso de Escrita Criativa para docentes, iniciamos com técnicas para motivar a escrita para pequeninos, muito pequeninos.


Já somos muitos e a nossa curiosidade e espanto não tem fim. Queremos aulas mais dinâmicas e alunos expressivos, mas antes de mais nada, acreditamos que temos que ser exemplo, afinal com bons modelos é mais fácil proporcionar a mudança.
Durante o curso, várias técnicas criativas foram dinamizadas com o objectivo de enriquecer os formandos com estratégias que vão com certeza aumentar o interesse pela escrita.
Por isto, sem medo de errar ,de fazer perfeito ou bonitinho, colocamos a mão na massa!


sábado, 23 de outubro de 2010

A AULA DE TUBA


Será que podemos encontrar  música  na delícia de umas horas bem passadas com amigos?
Ou será que a música está em qualquer lugar, basta nos deixarmos levar pela sensibilidade?

Este Álbum Ilustrado, nos leva a uma viagem ao mundo do som numa proposta onde o discurso da imagem ocupa um grande espaço. Há durante todo o livro apenas duas frases; uma no início, e outra, no final da história.É um convite aberto a interpretação do leitor.

As lindíssimas ilustrações feitas em lápis cera, possuem um ritmo, uma luminosidade ímpar que conduzem o leitor, seja criança ou adulto, a um espaço onde  tudo é possível.
O caminho transforma-se numa pauta musical e os amigos encontrados na florestas,cúmplices musicais. Quem parece não gostar muito da ideia e da azáfama musical é um urso, que furioso por ter sido acordado, ainda ensaia alguma contrariedade.
Mas o poder da música diminue as diferenças e tudo acaba bem.

Um título que não pode faltar na sua prateleira.
Corra, vá buscar o seu!

AULA DE TUBA
de Monique Feliz e T.C.Bartlett
Editora GATAfunho

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

AVÓS de Cherma Heras


Um olhar sobre o amor e o envelhecimento.A bela história de companheirismo de Manuel e Manuela, um casal  romântico e cheio de vida. O texto poético nos faz lembrar as lengas lengas e conta-nos a história de amor de um casal idoso.
Manuel conquista todos os dias a Manuela - uma velhinha coquete e divertida - que por ser vaidosa, não encherga a sua beleza. Vê apenas as marcas do tempo e da velhice: a pele enrrugada, as pernas finas, o cabelo branco.
Manuel não desiste da sua mulher e em cada momento do texto mostra-lhe a sua beleza através de metafóras muito bem construídas, que conjugadas com a ilustração, assinadas por Rosa Osuna, levam o leitor a se apaixonar a cada página por este casal de velhinhos dançarinos.

"A avó foi à casa de banho e tirou um lápis de uma bolsa.
-O que vais fazer com este lápis? - perguntou o avô.
- Vou pintar os olhos,que estão tristes como uma noite sem lua.
-Não digas isso mulher! Tu és bonita como o sol,com os teus olhos tristes como as estrelas da noite.
E faz favor de te despachar, que temos que ir dançar!"

Quem vence é o olhar do apaixonado Manuel . E o seu prémio ?
Dançar com a sua mulher com os seus braços à volta do pescoço!

O baile entra pela noite à dentro e embalados pela música, todo o mundo gira.
A intimidade da dança desperta Manuela, que abraça o seu homem contra o peito:

-Manuel,és tão bonito como a lua!

Envelhecer assim é  estar desperto para a vida.


AVÓS
Cherma Heras - autor
Rosa Osuna - ilustradora
Editora Kalandraka

O BEBÉ de Fran Manushkin


Alegria. Esta é a única palavra que posso utilizar para descrever o que senti, quando no meio de uma prateleira abarrotada de livros encontrei:  O Bebé de Fran Manushkin.
O livro tinha me sido apresentado há tempos numa formação para a leitura. A dona do tesouro - o livro - com um sorriso maroto, esperou pela pausa para me mostrar "um livro lindo, cheio de coisas boas". Curiosa,  o devorei em segundos.
O livro, já velhinho, era tratado com cuidado, já que se tratava de uma relíquia para aquela educadora, que o possuía há muito tempo, "desde o tempo em que os filhos eram pequeninos".
Fiquei morta de inveja, queria tanto um livro daqueles...
E como acredito nos deuses dos livros, sei que naquela manhã foram eles que me prepararam a boa surpresa.
A ilustração assinada por Ronald Himler é simples, e sempre em preto e branco. Aqui, vemos uma calorosa família, prestes a aumentar.
Rodeada por grandes cuidados maternos, a menina não quer nascer, afinal a vida intra -uterina lhe parece muito mais divertida, pois no quentinho da barriga da sua mãe tem todos os mimos que lhe fazem feliz.
Toda a família lhe tenta convencer que deve nascer,e para isto, usam todos os pretextos possíveis.
Mas o grande vencedor é o Pai, que lhe promete beijos, muitos beijos. Então, a história transforma-se com lirismo e simplicidade, numa história onde os afectos e o crescimento são parceiros inseparáveis.
É um belíssimo livro, assim como o prazer  de encher de ternura aqueles que amamos.

O BEBÉ
Fran Manushkin- autora
Ronald Himler - ilustração
Sá da Costa Editora

*as imagens foram "pescadas" do blogue prateleira de baixo.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

I'm Here

UM SONHO DE ESCOLA

Era uma vez uma escola de sonho. Nela, não há sinos ou sinetas irritantes, no pátio ouve-se música clássica e silêncio.
Não há mulheres assustadoras a controlar a entrada, nem seguranças a controlar a saída.
Normalmente no outono, os alunos sentam-se calmamente no banco do jardim, e deliciam-se com a sinfonia do desfolhar das árvores. Ninguém tem pressa, ninguém corre de um lado a outro.O tempo flue como tarde descansada, como dia de férias, como colo de mãe.
Tudo é feito a medida do homem e da criança. Ansiedade, só em dia de visita de estudo -porque o novo é sempre um espanto- e em dia de pintura. Sim, porque antes do desenho estar pronto, a alma inquieta-se e desassossega para lhe dar vida.
As escadas estão repletas de desenhos feitos por crianças que apesar de serem actualmente adultas , não deixam de visita-la, porque sentem saudades. Não aquela saudade de quem não conheceu a presença, e sim, aquela saudade de quem traz a lembrança dentro de si como um dia de festa.
Nesta escola não há gritos. O maior não grita com o menor, o menor não grita para chamar atenção.
Os professores quando falam, falam com os olhos, com os gestos, com o corpo, com as mãos e principalmente com o olhar. O olhar atento de quem ama, e sabe que não há nada mais importante para o crescimento do que ser olhado como único, como pessoa especial.
Nesta escola, não há festas,aqui, há muito tempo há espaços de partilha, e o prémio mais importante, não é para quem tirou as melhores notas, e sim, para que é o melhor amigo.
Uma escola assim, não é um sonho romântico é uma realidade que deve ser construída à várias mãos.

CHEGA DE PREGUIÇA!

Depois das férias, dos incêndios de verão, das obras em casa, do turbilhão da agenda, já é hora de decretar: chega de preguiça!
Voltemos ao Blog e a post novos, novíssimos, porque este ano muitas surpresas nos esperam...