domingo, 20 de dezembro de 2009

A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS

A Arte de Contar Histórias, não deve ser banalizada, reproduzida sem cuidados num canto qualquer.
Para contar histórias, é preciso contemplar o silêncio...
O silêncio dos olhos de quem escuta a história com cuidado,porque sente-a dentro de si.
Quando contamos histórias, as crianças de tão compenetradas ficam imóveis.
Como se aquele encantamento em encontrar algo de novo,as deixassem sem movimento,de tão embriagadas pela magia do contador, e da história.

Quando era pequena, o meu pai contava-me histórias.Tinha um livro grande e verde, onde pescava ideias
e contava sabedorias. As histórias eram bonitas, e o quarto enchia-se de intimidade.
As histórias são boas, quando partilhadas numa respiração onde o afecto está presente e embala o berço.
Neste momento a história faz o seu papel; partilha e une.

Talvez por isso, preocupo-me tanto com a falta de histórias, ou melhor, com a falta de intimidade nos locais onde as histórias são contadas.

Assustam-me os planos para incentivar a leitura, onde"toda a gente" conta histórias.
Onde contar histórias passa a ser; simplesmente ler, sem os cuidados necessários ou técnicas comunicacionais, que os profissionais da expressividade possuem.Tenho visto, um pouco por todo lado por onde ando,histórias contadas sem empatia, com crianças sentadas em alcativas rotas e velhas.

Histórias "gritadas", lidas com falta de zelo e paixão, para crianças apinhadas  num ambiente sem alegria ou vida, geralmente com poucas condições para o relaxamento que a leitura impõe.
Tudo isso em nome, de projectos sem metodologia, que existem apenas porque devem existir e porque actualmente  se fala na importância da leitura, e que as crianças devem ler.

Se querem que as crianças leiam, que leiam os adultos.Porque se os pais lêem, as crianças lêem também.

Histórias mal contadas, fazem os mesmos efeitos que os maus livros; causam incômodo e urticária, uma
verdadeira alergia ao delicioso acto de ler.

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