quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

TODA A IMENSIDÃO DO MAR



Dia de chuva, não é dia de ficar à janela.
É dia de levantar as saias, saltar poças que encontramos no caminho e brincar com as pedras.
Quando chove, a tristeza brinca com os nossos pensamentos.
Os mais tristes, sentem-se aprisionados, no calor da casa.
Os ansiosos, rezam para que o tempo mude.
E os criativos, perseguem as gotas, que escorrem na janela, com um sorriso.
Ás vezes, todo o dia chove.
É um desasossego que aperta o peito...
E o peito apertado, nos faz viver memórias,casa das sombras habitada, por outros temporais.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A ÁRVORE NO MEIO DO CAMINHO




Ficava entre o mundo, do lado de cá,  e do lado de lá.
Não se parecia em nada, com as árvores que se encontram nos jardins, ou que
embelezam os parques e as cidades.
Não tinha frutos, e só oferecia sombra.
Uma brisa reconfortante, quando se está no meio da viagem.
E quando se está em viagem, é sempre repousante encontrar um canto,em qualquer parte do mundo, onde se possa deixar o corpo, pousado, enquanto a mente viaja.



A pintura é de Eliana Maitan.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

POESIA PARA ENCANTAR O SONHO

Gosto de vestir roupa amalucada para dormir.
Só assim,o sonho vem à vontade.
Quando se adormece com roupa muito arrumada,acorda-se
machucado- como se o sonho não tivesse tempo de
acontecer.
Tudo fica muito parecido
com a vida real.

Roupa amalucada desperta o sono.
O sonho vem alegre, aventureiro e cheio de desafios.
Muita arrumação na cama, é tão chato como as pessoas
que têm o cabelo muito penteadinho.

Eu não acredito em pessoas com o cabelo penteadinho.
Estas pessoas, não sonham com dragões,
cobras de duas cabeças e lagartos.
Não sonham que estão sós.
E nos seus pesadelos, nunca os dentes lhes caíram.
O mais grave,é que estas pessoas, tão corretas,tão
normais, nunca sonharam com algo arrebatador:
estar completamente nú,à frente de muitas pessoas.

Pessoas penteadinhas dormem com pijamas aborrecidos de algodão
e quando a vida lhes corre mal, com pijamas de flanela,
do tempo do bisavô.

Roupa amalucada é internacional.
Todos os sonhadores a vestem.
Na China, na Lituânia ou na Escócia,
qualquer pessoa tem uma meia perdida-provavelmente devorada
em noite de pesadelo-que combina completamente, na imperfeição,
com outra encontrada no cesto de roupa suja.

Acredito que até em países desenvolvidos como a Inglaterra,
os filhos gostam de vestir as t-shirts dos pais, tamanho XXL,
verdadeiros passaportes para uma noite de sonho
estilo:PEDACINHO DO CÉU.

Por isto, vou passar o resto da minha vida a acreditar,que
devemos vestir o que nos faz sentir vivos.
E que para sonhar, um sonho despenteado, cheio de vida,devemos
vestir roupa amalucada.

Ps: Da última vez, que vesti roupa amalucada para dormir,sonhei
que podia voar. Foi uma experiência incrível.
Por isto,esta noite, prenda o pijama no armário e despentei-se!

domingo, 20 de dezembro de 2009

A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS

A Arte de Contar Histórias, não deve ser banalizada, reproduzida sem cuidados num canto qualquer.
Para contar histórias, é preciso contemplar o silêncio...
O silêncio dos olhos de quem escuta a história com cuidado,porque sente-a dentro de si.
Quando contamos histórias, as crianças de tão compenetradas ficam imóveis.
Como se aquele encantamento em encontrar algo de novo,as deixassem sem movimento,de tão embriagadas pela magia do contador, e da história.

Quando era pequena, o meu pai contava-me histórias.Tinha um livro grande e verde, onde pescava ideias
e contava sabedorias. As histórias eram bonitas, e o quarto enchia-se de intimidade.
As histórias são boas, quando partilhadas numa respiração onde o afecto está presente e embala o berço.
Neste momento a história faz o seu papel; partilha e une.

Talvez por isso, preocupo-me tanto com a falta de histórias, ou melhor, com a falta de intimidade nos locais onde as histórias são contadas.

Assustam-me os planos para incentivar a leitura, onde"toda a gente" conta histórias.
Onde contar histórias passa a ser; simplesmente ler, sem os cuidados necessários ou técnicas comunicacionais, que os profissionais da expressividade possuem.Tenho visto, um pouco por todo lado por onde ando,histórias contadas sem empatia, com crianças sentadas em alcativas rotas e velhas.

Histórias "gritadas", lidas com falta de zelo e paixão, para crianças apinhadas  num ambiente sem alegria ou vida, geralmente com poucas condições para o relaxamento que a leitura impõe.
Tudo isso em nome, de projectos sem metodologia, que existem apenas porque devem existir e porque actualmente  se fala na importância da leitura, e que as crianças devem ler.

Se querem que as crianças leiam, que leiam os adultos.Porque se os pais lêem, as crianças lêem também.

Histórias mal contadas, fazem os mesmos efeitos que os maus livros; causam incômodo e urticária, uma
verdadeira alergia ao delicioso acto de ler.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A CRIANÇA CANGURU

Muito prazer. Sou a criança canguru. Ando sempre de um lado para o outro e tenho a agenda de um tecnocrata. Sou uma pessoa séria e muito ocupada .E se alguma vez faço bico ou interpreto uma valente birra, sou logo relembrado por um adulto << Que ideia é esta de fazer estas figuras à frente de toda a gente?!>>
É a mais pura verdade, sou a criança canguru, a nova criança do mercado. Tenho que ser rápido e lógico, não há tempo a perder. Tenho de realizar com um grande sorriso todas as tarefas que pensam para mim. Coisas de adultos. Pensadas por adultos. Para criança fazer.
Todos os dias, acordo de manhã , engulo os cereais e voo para o carro. É preciso ser rápido na hora de apertar o cinto, pois os meus pais estão sempre atrasados. Depois de ficar entalado no trânsito, despacham- me para a escola.
Por aqui, todos têm o nariz a escorrer. Fazer barulho, é algo proibido. Temos que nos comportar como adultos. Isso de ser criança, já está fora de moda… o grito do momento é ser bem educado e nada de ter ideias! E claro, o mais importante, respeitar a professora.
Mas por acaso ,será que tenho direito a receber uma quota de respeito? Porque sinceramente dava jeito que se lembrassem, de vez em quando, de perguntar -me sobre as coisas que gosto de fazer. Também era muito importante, ter tempo para ouvir as respostas…
Desculpem…não posso perder - me em divagações, onde estávamos?…Ah! na aula…por acaso estávamos entretidos a ver livros e a observar imagens. Falamos sobre plantas, sobre folhas e então, lembrei-me da quinta do meu avô e quero contar uma coisa muitíssimo interessante…mas a professora, muito preocupada que bebamos todas as palavrinhas que lhe saem pela boca, faz cara de pouco caso e diz que não tem tempo para estas conversas.
E zás! Saltamos para a matématica. Matemática?! Mas calma, eu ainda estou a sonhar com folhas…e a quinta do meu avô. Meninos! Estejam todos quietos! Há coisas muito mais sérias para fazer. Contas! Uma folha cheia delas, e há um tempo a cumprir, pois quem não cumpre o relógio e anda em outro ritmo, terá sérios problemas.
Não consegui terminar as contas. E acabo de ganhar uma bolinha amarela para aprender a ficar calado. E agora, o que é que eu faço com esta bolinha, treino para as Olimpíadas de 2012 no Rio, ao som do samba e na delícia das praias, ou aprendo a esquecer de mim mesmo e sigo o caminho desenhado por outras pessoas?
Já no recreio ,devoro minha sandes num segundo. Hoje o recreio é mais curto, porque temos que ensaiar. Tenho fome… Mas como uma verdadeira criança canguru, lá vou eu aos saltos para o ensaio da “Festa do Pai”.
Que tristeza, isto não parece nada uma festa. O professor de música, já roxo de tanto gritar, balança os braços de um lado a outro e no fundo da sala vejo o meu amigo João, que tem um ar tão triste que deixaria até uma fada deprimida. Já há muitos anos que o seu Pai é uma estrela no céu... Não sei porque temos que celebrar estas datas estúpidas…
Voltamos à sala. E fico contente porque é o momento das artes plásticas. Mas a felicidade de uma criança canguru dura muito pouco. Temos que preparar uma prenda para o pai. E sem mais demoras uma gravata, já cortada em cartolina, cai de para -quedas à minha frente, e tenho que decora-la, com umas bolas e umas tiras de papel que estão dentro de uma caixa.
Já estou a imaginar, o meu pai que é surfista, a receber uma prenda destas, vai logo ver, que não foi ideia minha… Se pudesse escolher, desenhava um cavalo marinho que com certeza faria mais sucesso.
Ai,ai… e aqui estou eu, a colar bolinhas e tirinhas, para deixar mais uma vez um adulto feliz. Porque os adultos meus amigos, não gostam nada de ser contrariados…(suspiro) e nunca mais chega o fim de semana.

CRIATIVE-SE!

Como a criatividade é uma característica da vida e da vivência plena; encontre tempo para brincar.

Fugir a tentação de passar o fim de semana estendido no sofá, com o controle da televisão a fazer companhia. Evitar aquele idílico paraíso comum em muitas famílias onde, cada um fica no seu canto: hipnotizados pelo computador ou aborrecidos a olhar para as paredes.
Para os pais, que bom seria, se os filhos dormissem até mais tarde nos fins de semana… Mas este desejo, nem o Aladim poderá satisfazer.
Porque o Sábado desperta cor, excitação e alegria. Uma vontade imensa de ir para outra escola, onde cadeiras e trabalhos para casa não são possíveis. A caixa de brinquedos nunca tem o que procuramos . E o corredor transforma-se numa pista de lançamento para a vida. O que se deseja é encontrar outros sorrisos.
Para os miúdos, o melhor é brincar. Deixar a energia criativa percorrer o corpo e abrir as portas da mente. E cá entre nós, os adultos deveriam brincar mais. Que grande perigo, quando nos levamos muito à sério... Sob a máscara de pessoa séria, pode estar alguém com um olhar triste e deprimido que exiba um letreiro” Aqui, no passado, viveu uma pessoa feliz”
Brincar faz bem e deve ser ministrado em grandes doses sem prescrição médica com o risco de quando não ingerido - o remédio brincar - a pessoa transforme –se em pedra e deixe de ter vida.
Há um psicanalista inglês, que dedicou a sua carreira, a investigar e a por em prática “o brincar” na sua terapia.
Para Winnicott “…no brincar a criança é livre para ser criativa. Para ambos, crianças e adultos, na criatividade usa - se toda a personalidade e pode-se descobrir o verdadeiro Self”.
E o que mais percebemos no trabalho, nos cafés, nas conversas corriqueiras é que a velocidade dos dias não dá espaço ao Self, a experiência verdadeira.
Ao brincar, nos encontramos um no outro. Nos acertos e desacertos. Nos encontros e desencontros. No aconchego do olhar empático. Não há soluções mágicas, enquanto brincamos, partilhamos o olhar.
O adulto - com o olhar emprestado da criança - brincalhão e transformador, volta a organizar o seu mundo interno. E a criança- com o olhar do adulto - elabora, dá sentido as coisas preenchendo-lhes de significado.
Muitas vezes, bastam gestos simples como vestir uma roupa confortável e transformar a mesa da cozinha num atelier de pinturas. Ou quem sabe , fechar os olhos e brincar às cegas pela casa. O importante é dar menos importância as coisas por fazer, e dar mais valor ao Ser.
A grande verdade, é que a criatividade não é uma especiaria para super dotados, é um caminho de crescimento onde somos absorvidos em algo que faz sentido e dá sentido a vida. Por isso, para a promoção de uma vida saudável, brinquemos .

O PRESENTE

Um dia, um pai trouxe um embrulho com cores.Vinha debaixo do braço, pseudo tímido. Mas as cores eram intensas. A menina ficou logo espantada. Não era dia de presentes. Era um dia qualquer sem cheiro de comemoração. O embrulho em cima da mesa fazia perguntas e disparava pensamentos:
-de quem era o rosa da fita do embrulho?
-o que se vestia de frio, que precisava de tanto aprumo na vestimenta?
Os olhos curiosos, ligaram-se as mãos e foi impossivel resistir. Agarrou no embrulho e sacodiu-o.
Não fazia barulho, logo não era um gato.
O pai riu divertido, disse-lhe que era impossível advinhar,e que o melhor mesmo era investigar o que o papel cintilante  esconde à vista.
As mãos ageis rasgaram o papel.Os pedaços do papel cairam no chão divertidos.
Há coisas na vida que não se deve reciclar .
E envolvida por uma chuva de afectos, a menina finalmente conheceu o presente.

Que doce delicia quando alguém nos adivinha os desejos...
 Eram uns sapatos. Brancos,redondos, cintilantes. Uns sapatos para ganhar vida, para ir a dança, para ganhar a cidade.
A menina calçou-os e despenteou os sentimentos.
Rodopeou pela sala e transformou-se nas mais belas personagens.
Fugiu de índios famintos.
Foi princesa num baile.
Conheceu extraterrestres e patinou no gelo.

O pai divertido, num canto da sala, fazia de conta que não via nada, mas estava feliz.
Ao ver a desordem, a mãe quis por ordem no quadro, mas o pai, gentil pintor falou-lhe calmamente:
-Deixe que a menina sinta a alegria.
E chamou a mãe para  sentar-se ao seu lado.
Durante toda a tarde aquela familia não fez nada de útil; não foi as compras, não limpou a casa, não arrumou as gavetas.
Ficaram assim, unidos,embalados pela alegria.

AULA DE PINTURA

Um ponto
Uma pinta
Dois pontos
Duas pintas
Canta a chuva no telhado
Mas hoje não há chuva, só chuva de cor

Menino, vem brincar de cor!
Brinca com a cola
A cola,cola
A cola escorrega
Corre, corre entre os dedos
Cola a cola no papel
No papel está estampado o desejo
Basta abrir a porta que está
no meio da folha

Menino, pede um desejo!
-Um dia cheio de brinquedo bom!
Que brincadeira boa, essa brincadeira de
desabrochar por dentro

Menino, conta para mim
que coisa é esta que você está pensando
-Não estou pensando, estou brincando de alegria,
é divertido.
Vê! Olha o desenho.
Será que descobres onde é que eu estou?

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

DANÇA CRIATIVA COM BALÕES


Hoje voamos. Trazemos roupas confortáveis e esquecemos os sapatos à entrada.
Neste salto para a vida, de mãos dadas, trago comigo um dos meus pais.
Juntos saltamos, pulamos, rimos, dançamos
Agitamos os cabelos e vemos os balões encherem todo o espaço com cor.
Os ritmos e sons variados, convidam-nos a movimentar o corpo.
E quem disse que voar não é possível?

3 de Outubro
Museu Casa da Luz
Das 10:30 às 12:30 horas

OPTIMIZAR A LEITURA NA SALA DE AULA

Criar o gosto pela leitura a gente de palmo e meio, é aceitar como verdade que a leitura de um livro é o principio de um processo. Depois do livro ser fechado, um mundo de possibilidades nos desafia e é preciso colocar a imaginação a serviço!
A leitura começa com a selecção dos livros a serem lidos, e muito mais que simples literatura, os livros são uma verdadeira partilha.
Ler as imagens, o texto, re-criar as sensações e sentimentos que o livro despertou. E quem sabe, experimentar com o corpo a história. Não é preciso ser ponto por ponto, pinta por pinta…pode ser o que mais nos toca; o que é mais divertido; que personagens se parecem connosco; ou até ilustrar todo o livro outra vez.
Enfim, ler é cultivar o nosso jardim interno.

ESCRITA CRIATIVA PARA PROFESSORES

Mais uma Acção de Formação, chega ao fim. Foram 25 horas, desta vez organizadas pelo Centro de Formação do Sindicato dos Professores da Madeira, e os debates foram acesos.
Discutimos a importância da escrita e como não cair na tentação de escrever apenas para dominar a ortografia e a língua portuguesa.

Escrever, deve ser antes de mais nada, um prazer, uma descoberta, um diálogo consigo mesmo.


Com humor, colas, tesouras, restos de papel, caricas, botões e outras coisas mais, construímos o nosso projecto: um livro, feito à várias mãos.
Um livro, que pelo seu sentido simbólico, fala muito de nós. Com certeza que vai fazer renascer o nosso cantinho da leitura, porque é feito pelo grupo e é original. Único.
O curso chegou ao fim, mas muitas outras histórias queremos contar!

Nota: Este livro foi criado por: Lucia Ramos, Maria José Fernandes, Tânia Santos e Verónica Barros.

ALQUIMIA DA VOZ




8 Passos para potenciar a sua saúde vocal
Conhecer técnicas de relaxamento e respiração

24 e 31 de Outubro
Museu Casa da Luz
Das 10:30 ás 12:30 horas


OFICINA DE TEATRO PARA ADOLESCENTES



Esta Oficina pretende dar aos participantes ferramentas básicas, para a criação de personagens.
Exercícios de corpo e movimento, respiração e voz.
Vamos alongar e respirar. Sonorizar e articular.
E no final, criar uma personagem.
Vem descobrir o teu talento!

17 de Outubro
Museu Casa da Luz
Das 10:30 ás 12:30

Projecto Educativo no Museu da Casa da Luz

Um projecto de:
Ana Meireles, Elsa Gouveia, Cintia Palmeira em parceria com o Museu da Casa da Luz.


Um novo projecto surge no Funchal em parceria com o Museu da Electricidade da Madeira.
Esta iniciativa promove o desenvolvimento do potencial humano através de actividades criativas que utilizam técnicas de auto-conhecimento, comunicação e expressividade.
O carácter inovador deste projecto consiste na dinamização de momentos de aprendizagem numa perspectiva multi-disciplinar. Oficinas para crianças, jovens e familias ou workshop para a população em geral dão forma a projectos individuais de desenvolvimento do "Eu" e à optimização de competências pessoais e sociais na relação com o "outro".

As inscrições podem ser feitas atraves do endereço electrônico museu.educativo@mail.com ou na recepção do Museu Casa da Luz.

Outras informações relacionadas com este projecto també, poderão ser solicitadas através do endereço electrônico museu.educativo@gmail.com.