terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O PRESENTE

Um dia, um pai trouxe um embrulho com cores.Vinha debaixo do braço, pseudo tímido. Mas as cores eram intensas. A menina ficou logo espantada. Não era dia de presentes. Era um dia qualquer sem cheiro de comemoração. O embrulho em cima da mesa fazia perguntas e disparava pensamentos:
-de quem era o rosa da fita do embrulho?
-o que se vestia de frio, que precisava de tanto aprumo na vestimenta?
Os olhos curiosos, ligaram-se as mãos e foi impossivel resistir. Agarrou no embrulho e sacodiu-o.
Não fazia barulho, logo não era um gato.
O pai riu divertido, disse-lhe que era impossível advinhar,e que o melhor mesmo era investigar o que o papel cintilante  esconde à vista.
As mãos ageis rasgaram o papel.Os pedaços do papel cairam no chão divertidos.
Há coisas na vida que não se deve reciclar .
E envolvida por uma chuva de afectos, a menina finalmente conheceu o presente.

Que doce delicia quando alguém nos adivinha os desejos...
 Eram uns sapatos. Brancos,redondos, cintilantes. Uns sapatos para ganhar vida, para ir a dança, para ganhar a cidade.
A menina calçou-os e despenteou os sentimentos.
Rodopeou pela sala e transformou-se nas mais belas personagens.
Fugiu de índios famintos.
Foi princesa num baile.
Conheceu extraterrestres e patinou no gelo.

O pai divertido, num canto da sala, fazia de conta que não via nada, mas estava feliz.
Ao ver a desordem, a mãe quis por ordem no quadro, mas o pai, gentil pintor falou-lhe calmamente:
-Deixe que a menina sinta a alegria.
E chamou a mãe para  sentar-se ao seu lado.
Durante toda a tarde aquela familia não fez nada de útil; não foi as compras, não limpou a casa, não arrumou as gavetas.
Ficaram assim, unidos,embalados pela alegria.

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