sábado, 27 de fevereiro de 2010

UMA ONDA DE AFECTOS PARA EMBALARMOS UNS AOS OUTROS

Tenho visto,um pouco por todo o lado por onde ando, o olhar triste e preocupado das pessoas, depois da tragédia do dia 20 de Fevereiro.
Acredito, que todos nós estamos envolvidos numa grande onda de generosidade e afecto, que contêm e tenta embalar a dor sentida por todos os cantos da ilha.
No dia em que a onda de lama,visitou a cidade, estava na baixa do Funchal.Um pouco, ainda espalhado pelo meu corpo, tenho a memória daqueles instantes de medo e preocupação.Isso, deixou-me agitada. E esta agitação, vinda do meu mundo interno, provoca na minha mente um dispositivo que pergunta: O que posso fazer? O que posso fazer?...
Por outro lado, recebo e mails carinhosos e pedidos de ajuda de amigas,cujos filhos não conseguem dormir durante a noite. Então, penso que a única coisa possível - além da doação de alimentos e roupas-  é continuar a minha pratica pedagógica, sempre a serviço da pessoa e do desenvolvimento do potencial. humano.
E assim, deixo estas sugestões, que poderá utilizar como bússola, nestes dias tão cheio de suspresas,onde o medo e a ansiedade, devem ser tratados com carinho,para darem espaço a vivência plena.

TIRE AS CRIANÇAS DA FRENTE DA TELEVISÃO

Não estamos a falar de inventar histórias, ou esconder a realidade. Mas já é tempo, de deixar que as crianças sejam bombardeadas, um pouco por onde andam, pelas imagens da tragédia.Encontre outras actividades que sejam prazeirosas, onde possam encontrar formas de escape e encontrar a alegria.Saia de casa, nem que seja para uma pequena caminhada com os seus filhos.
FALE SOBRE O ASSUNTO

Se o seu filho, lhe fizer perguntas sobre o que aconteceu, converse com ele. Se existirem casos de morte na família,não esconda a verdade. Fale calmamente com a criança, ofereça-lhe colo. Não diga a seus filhos que tudo está bem e o pior já passou, tente descobrir que medos ou ansiedades estão escondidos, diga que não faz mal estar triste.Acima de tudo, mostre que está disponÍvel para ouvi-lo, e que respeita os seus sentimentos.

ENCONTRE TEMPO PARA OS ABRAÇOS

Os abraços são o caminho mais rápido para o conforto emocional. Abrace mais. Deixe que o calor do seu corpo envolva o seu filho/a. Todos nós precisamos do toque, a pele é o maior orgão do nosso corpo.
Com a força de um abraço, o medo vai sumindo, sumindo...dando espaço ao amor e segurança. Abrace.

BRINCAR,BRINCAR,BRINCAR
Encontre tempo para a brincadeira. Procure outras crianças com quem o seu filho possa brincar. Deixe a sua casa aberta, para receber outras crianças ou jovens e assim, embalados na compahia uns dos outros,os níveis de confiança aumentam.
Promova uma festa de pijama com os mais pequenos, ou compre umas pizzas e deixe que os adolescentes se reúnam lá em casa.

RIR

Se a sua família não ficou directamente afectada, encontre espaço para o riso. Logicamente, se atravessa uma fase de luto, deve respeita-la. Mas rir ,produz endorfina, o que provoca bem estar e conforto emocional.
Compre um livro de anedotas, faça lengas lengas em casa. Procure um filme divertido e vejam todos juntos, agarradinhos no sofá.

USE CORES

Não dê descanço aos marcadores e lápis coloridos.Pinte caras coloridas e sorridentes e espalhe pela casa. Se o seu filho/a é muito pequeno e não sabe falar dos sentimentos, faça um jogo: juntos pintem os seus sentimentos.
Coloque uma folha A4 a vossa frente, e brinquem de dar cor a todos os sentimentos que habitam o vosso ser.
Abram os armários, esvaziem as gavetas. De que cor é o medo? Qual é a forma da ansiedade? A alegria é saltitona, ou anda em linha reta?
Dê espaço para a expressão do Self,crie intimidade ao falar dos sentimentos.Falar do que sente é uma passo importânte para o desenvolvimento da Inteligência Emocional.

TONELADAS DE EMPATIA

Nestes dias, com certeza, vai precisar de toneladas de empatia.A empatia é a capacidade de se colocar na pele do outro. Então, o mais importante que podemos aprender com a empatia, é ouvir,ouvir,ouvir.
Ouça o seu filho/a sem interromper e sem fazer juízos de valor.
Esta verdadeira escuta, envolve o outro como uma segunda pele, lhe oferecendo a segurança de se sentir amado e valorizado, por simplesmente ser quem é.









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